segunda-feira, 18 de julho de 2011

Augusta

Noite passada fui parar no inferno. Era um lugar onde eu já havia colocado os pés algumas vezes, mas sempre antes da hora do encanto, algo como Cinderela (muito decadente por sinal). Lá, você sente o corpo sendo metralhado por informações, por cores, por miséria e luxo ao mesmo tempo. As pessoas vivem no limite entre sorrisos e vômitos, totalmente influenciadas pelo o que o homem criou. 
As moças que às vezes não são tão moças assim, gentilmente cedem os braços aos abraços caros, os rapazes formam grupos, os jovens pegam caronas em peruas para descer de skate e se você tiver sorte, consegue encontrar o rapaz do saxofone de brinquedo... O máximo que consegui dele foi uma piscada, após ele ter tocado algo do Baker, enquanto eu ficava do lado de dentro do bar, pela janela o observando. 
A parada é necessária depois de algumas bebidas. A cabeça pede um momento e aquela coisa triste senta-se ao seu lado. Talvez seja o meu alterego fazendo companhia, não sei. Só sei que a única coisa desejável quando isso acontece, é um cigarro e uma varanda. No terceiro andar, em meio a conversas consideradas normais ao ambiente, são umas 6 tragadas pelo menos para te recompor. Lá de cima você vê coisas tristes... Parece que aquele lugar tão festivo, torna-se absolutamente triste. São crianças descalças arriscando a vida para pegar carona na parte de trás dos ônibus, arrastando os pés no chão, adolescentes jogados nas esquinas sob abstinências e meninas se prostituindo. Sabe-se lá o que eu tenho a ver com isso... Só sei que Deus não existe nesse lugar. Mas enfim, o cigarro acabou. Voltemos às risadas! Lá vamos nós subir a rua! 
Você tem duas opções: subir pelo lado direito que é um formigueiro, onde pessoas e bares brotam do chão ou subir pelo lado esquerdo que aparentemente é mais calmo e mais perigoso. Subo pelo direito e é confortável, porque me sinto mais uma, mas a minha cabeça roda e novamente o corpo é metralhado por tudo aquilo e as coisas começam a tomar uma forma deformada. Chegar até o início é o maior desafio num início de sábado e se você resolve parar para sentar, é proclamada a sua fraqueza. Como se fosse uma carne podre atraindo urubus... É decadente e viciante. É o lugar mais solitário e hedonista da cidade. E de brinde, você ganha uma porção de flashback enquanto tenta por pra fora tudo que incorporou. Parafraseando meu querido Gross, eu diria que um fim de estadia no inferno (isso ai) seria como: "Ela vem subindo a Augusta. Ela vem imaginando uma solução. Ela anda no mundo da lua. Ela anda na sua solidão".

Um comentário:

Nádia C. disse...

"Talvez seja o meu alterego fazendo companhia"

o filme sobre o Serge G.! ^^

Nossa, dá muita vontade de conhecer essa rua, viu. Tantos escritores falam dela. Você conhece Roberto Piva? Seu eu fosse paulista, o meu maior orgulho seria ser conterrânea dele.