quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Nonsense

Se eu te der uma geladeira vermelha, você fica? De foices não se fazem mais sorrisos. Deus não me atende mais quando eu resolvo ter dor de dente porque isso se torna consciente e quem é que tem fé durante a sobriedade, não é mesmo?

Vive, idealiza e na hora de por no papel, tudo escapa. Aliás, sequer escapa porque não chega a se concretizar como algo real, só uma pura piração. Não tem nada pra acrescentar nessa vida fedida. Sempre me surpreendo com pouco. Acho demais o que é de menos e por aí vai. Devo ser a pessoa mais inofensiva do mundo... Nessa onda de achar que o amanhã se baseia em esperança, eu vivo de bolso vazio. Nem bolsos tenho na verdade de tão mesquinha que é a minha respiração.
Ah, doutor. Eu prefiro ficar a noite treinando dardos e mirando-os no concreto sem intenção nenhuma de acertar a testa de um bêbado. Só pelo fato de fazer parábolas mesmo. A vida é isso, eu acho.
Numa dessas aulas de Medieval com o professor existencialista, sai nos 45 do segundo tempo e fui comprar um café, obviamente com a intenção de cruzar com o leitor de Bukowski, o que não foi muito lucrativo porque o espaço estava cheio de pessoas incrivelmente pastéis. Aí eu desci e fui fumar, fiquei sentada batendo cinza dentro do copinho e o existencialista estava sentado em mais uma crise existencial. É claro que isso é a minha visão e como consequência não é uma visão muito real. Tá meio impossível pensar em coisas normais, mas enfim. Perguntei se podia fazer companhia a ele:

- Taí sozinho, cheio de crise virado de costas pra humanidade.
- Quem falou que eu tô sozinho? Tô com deus. (ele é o ser mais irônico do mundo)
- Hum, então eu vou pra lá porque essa sua companhia não é das melhores.

O meu pra lá foi o lado dele e ali ficamos “existencializando”. Falando de prédios do Maluf e signos.

- Eu sou pisciano.
- Eu sou taurina.
- Deve ser cabeça dura, não?
- Muito.

Não sei se vocês já sentiram isso, mas esse negócio de olhar pros lados e ver o tédio em forma de gente, vai recuando disposição até a parede chegando num ponto que eu me entrego aos braços. Durmo em cima deles e seja lá o que esteja acontecendo na esquina, foda-se. A única coisa que eu queria que durasse pra sempre é o chiclete mesmo.
Que tipo de pessoa se orgulha de um salto alto? Eu sou esse tipo e veja bem como eu sou retardada. Me orgulho de uma porção de problemas de saúde. Que grande porcaria. Aí eu tenho esses surtos de alma e me vejo como uma completa rabugenta viciada em qualquer merda que me acorde desse sufoco. 

Um comentário:

Nádia C. disse...

eita que conversas legais as suas =D