quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Um por todos e todos por ninguém

Não quero soar triste, muito menos decepcionada... Percebi que havia construído uma carcaça bem rígida, acreditando que nada me atingiria e que as minhas mágoas eram somente uma questão de guardar na gaveta e pronto. Criei expectativas demais em relação as pessoas no geral e principalmente em relação a mim. Sempre ficava me perguntando, tentando entender o porquê das pessoas serem superficiais, descartáveis, interesseiras e iguais... Eu levava uma pancada, caía e me erguia de nariz empinado, cada vez mais dura comigo e esperançosa com os alheios, acreditando sempre que ficaria tudo bem, mas não... Como já disse aqui centenas de vezes, eu arrebentava meu coração a cada esquina e agora ele não aguenta mais. 
Foi um ano difícil... Feliz e sólido nas questões racionais que me obrigaram a querer ser a melhor em tudo e desastroso quando me vi carregando um fardo inesperado, quando me vi falhando e ainda mais quando fui apresentada ao mundo do jeito que ele sempre foi. As pessoas me enojavam, as atitudes de algumas, a falta de interesse de outras, o individualismo... Eu poderia passar horas descrevendo tudo que vi e observei, só que nunca seria capaz de me encaixar nas histórias que poderia contar. Perdi as contas de quantas vezes fiquei por um longo tempo sentada num banco, numa mesa de restaurante, num sofá ou em qualquer outro lugar que seja, fumando porque esse foi o único método imbecil que encontrei para aliviar o peso e decorando o que eu assistia. Todas as vezes eu me doía porque esse todo era sempre igual e eu me questionava se existia algum problema, se o normal era isso mesmo, se eu ainda não tinha entendido a realidade... 
Vivi de acordo com o manual, ignorando as dores e o que me incomodava porque sempre me vi sob controle de tudo e deixei as coisas fluírem de acordo com a música. Me enganei esse tempo todo e há pouco tempo vi as coisas desabarem. Foi a última visita da realidade no ano e talvez a mais impactante. 
Ao me perguntar o porquê da vida que eu levava, fui tirando da gaveta tudo aquilo que me doía... Tudo que eu acreditava que havia ido embora e finalmente me encontrei sozinha, a princípio. 
Perguntaram se eu me sentia acompanhada pela solidão. Desatinei a chorar porque era isso o tempo todo. Por mais que tenha sido um ano cheio de momentos felizes, eu realmente nunca me senti encaixada, pelo contrário, sempre me senti atormentada e desapontada com o que acontecia e o modo como as coisas terminam, baseadas no individualismo e no que é melhor pra cada um independente disso foder com outra pessoa ou não. Retrucaram dizendo que as coisas são assim e sempre serão e eu não quis acreditar. O fato de pela primeira vez na minha vida eu ter me sentido tão ingênua e vulnerável a tudo fez com que eu parasse para pensar no que realmente importava. A primeira opção de quem entende foi me encaminhar pra um psiquiatra, para terapias e a justificativa era a idade. Uma menina tão jovem não deveria estar sofrendo por essas coisas, perdendo tempo pra pensar numa solução pro que não tem, querendo entender o que se passa na cabeça dos outros. A minha primeira opção foi dar de cara com aquilo que me cercava depois de tudo. Foi ver quem eu deveria levar pro meu mundo e quem deveria ser expulso para aliviar a minha dor. Eu passei dezoito anos aceitando e acreditando (mesmo sem querer) nos outros. A partir de agora, depois de me ver perdida por alguns dias, só entrará no meu mundo quem eu quiser. A vida segue com a política da boa vizinhança, claro. Eu enlouqueceria sem essa vida social de merda, mas agora eu tenho consciência de que eu devo me importar apenas comigo e com mais ninguém. E isso não é uma novidade e nem uma máscara como  a que eu usava desde que me entendo por gente. As minhas fugas continuarão as mesmas e quando digo isso, me refiro à música e literatura, somente elas a priori.
Se antes eu tinha um rascunho de frieza e de desconfiança, agora eu sou por inteira e as coisas vão mudar... Vou querer estar perto só de quem realmente me comover... As superficialidades humanas já me calejaram o suficiente para eu apelar ao recanto dos fracos.

2 comentários:

Nádia C. disse...

"Por mais que tenha sido um ano cheio de momentos felizes, eu realmente nunca me senti encaixada, pelo contrário"

...

Eu sei que não, eu não sei exatamente como é, as experiências são parecidas, mas óbvio, são únicas, e dizer que eu sei como você se sente provavelmente não conforta, mas eu sei. A vontade de me tornar cada vez mais reclusa é constante.

Abraços, Fernanda. Quero dizer que adorei termo começado a nossa trocas de cartas e eu espero que possamos continuar, assim que eu finalmente mandar a minha, né haha. Beijos.

Nádia C. disse...

"I'm just sitting here watching the wheels go round and round
I really love to watch them roll
No longer riding on the merry-go-round
I just had to let it go"