quarta-feira, 28 de março de 2012

Anos Incríveis

O frio é um negócio que de alguma forma me desmoraliza. Eu passo dias reclamando do calor, do suor, das pernas expostas e o incomodo que me causa abrir o armário e não ter nada tropical para vestir e então, quando o frio resolve passar pra tomar um chá, eu faço o que? Reclamo dele também. Ele motiva a minha fama de rabugenta. De pessoa que não sabe o que quer.
É o momento que o meu cansaço desperta e junto, a preguiça de levantar dessa cadeira e ir fazer todo aquele ritual de tomar banho, jantar, fazer xixi e ir pra cama. Posso dormir nessa cadeira? De calça jeans, blusa de frio e maquiagem? Céus, como judia!
Me lembro de quando era mais nova (é, mais ainda) que eu chegava da escola com a minha irmã e ia logo tirando uniforme e colocando um mega pijama com direito a meias lavadas e sopa fresca. Sentávamos na cama e debaixo das cobertas, com a sopa do colo, assistíamos Anos Incríveis. Que viagem... Como era bom não ter que se preocupar com o tempo. A tarde escorria sem nenhuma advertência e por ali ficávamos a toa. Se a mãe pedisse pra lavar a louca, era motivo de cara feia e reclamação. Hoje em dia quando paro para pensar nessas coisas, vejo como o relógio é relativo e insignificante.
Agora eu sou do tipo que chega correndo em casa rezando pra dar tempo de jantar a comida da mãe. Às vezes torço pra dar tempo de tomar banho e secar o cabelo antes de dormir, mas nunca dá certo e ai vem mais uma preocupação que é a de conseguir dormir bem para acordar mais cedo ainda e por o corpo em dia. Nesses dias de frio isso só se agrava. Imagina eu sair do trabalho a noite e ainda ter que chegar em casa e fazer tudo isso com preguiça e vontade de dormir. Não que no calor eu não sinta isso, mas... O frio, como eu já disse, desmoraliza muito mais. Aperta o olho da gente.
O momento é propício para tomar um café bem quente, eu sei, mas se eu fizer isso não vou dormir o suficiente para ter o mínimo de bom humor no dia seguinte.
Agora, enquanto ouço as pessoas no trabalho me dizendo: "vai pra casa, Fernanda", eu tenho que escrever umas coisas pra faculdade e ler também. O dia tem vários inícios e um fim que parece não chegar nunca. Penso que a tendência é essa situação se agravar até chegar ao ponto de eu me tornar um ser pouco saudável, com olheiras e algum problema sério de tendinite ou úlcera. Também sou do tipo que acredita que no final as coisas dão certo. Entrei nessa muito cedo e, sendo otimista, creio que sairei rápido enquanto as pessoas continuam nos seus afazeres infelizes. Eu vivo sob o efeito da pressa. Da vontade de querer ter as coisas para ontem e o mais masoquista disso tudo é que gosto de ir atrás disso sozinha. Não, eu não quero ajuda pra concretizar o que almejo. É individualismo, eu sei, mas individualismo é um egoísmo interno certo? Não significa que eu seja egoísta, pelo menos eu acho. Não sou, de fato.
Voltando ao caso do frio e a sua interferência nessa minha relação com o tempo, queria dizer que se alguém quiser me abduzir nesse momento e me levar de algum jeito pra época que eu assistia Anos Incríveis, a sensação de não me preocupar se estou a frente ou atrás do que me cerca seria indescritível e principalmente, valorizada.


2 comentários:

Marina Peppers disse...

Anos Incríveis é ótima!

nádia c. disse...

sei bem, sei bem! só agora, mas sei.

sua carta chegou há um tempo, vou responder! é difícil manter isso na correria né?