sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Então tá

Sei lá por mais quantas noites eu vou ter que peregrinar pra arranjar um início de texto decente pra você, até porque ando evitando ao máximo deixar você tomar meu tempo... Inventei até um personagem masculino pra me acompanhar e de maneira assexuada, me confortar nessa cama fria. Nessa cama que se tornou fria ao longo desses meses. Entre meus dois últimos dedos da mão direita há manchas de caneta dessa bic vagabunda, de tanto que escrevi e risquei versos que tentassem resumir de forma simples e apaixonada o que é esse negócio de te amar. Não tem como escrever amando sem começar, continuar e terminar frases que contenham o mar e aí você me cala como se eu fosse a pessoa mais tola que existisse, porque eu passo os olhos no relógio frequentemente pra ver se há alguma alteração nisso que eu sinto, pra ver se eu descubro a definição e eu simplesmente não consigo saber, só sentir. Ando buscando ajuda na filosofia, porque as vezes acho que o romantismo nada mais é do que o empirismo batendo na minha porta, deixando recados debaixo dela e falando pela fresta mínima que foi você o culpado disso tudo... Que antes de você eu não sabia o que era isso. 
Eu sou fraca, sou ignorante e perdida, busco referências em tudo e te garanto que nessa porcaria de texto, o final vai pedir uma frase que resuma tudo antes dito. Não gosto de por em linhas retas o que quero dizer. Eu poderia, de forma simples, dizer que te amo e só e essa é a questão. Não é só um "eu te amo". É tempo, vida, rotina, música e tudo que compõe o que me faz viver. Eu posso estar maluca, até porque a gente sabe que na arte do surto eu sou superior a tudo, mas meu bem, é desesperador olhar a minha volta e ver tanta gente chata que eu poderia muito bem jogar num buraco em troca de você... Isso soa tão injusto, não? Tanta coisa pra dizer, pra sentir e que sufoco é esse treco, meu deus. 
O mais injusto são as pessoas relacionarem o amor diretamente ao coração. Porra, vão a merda. Amor bagunça meu cérebro, dói meu estômago, descontrola meu fígado, treme meu corpo e bem lá no final, chega no coração. E sabe o que é pior? Isso tudo gera uma satisfação tremenda! Um prazer que, como já te disse, só eu sei como é. Aliás, eu espero que ninguém se identifique com o que eu sinto, dizendo "sei como é". Não, não... Ninguém sabe porque é de um hedonismo gigantesco e tal como uma droga (olha eu com essa breguice de novo), causa abstinência quando você está ausente ou quando eu decido me ausentar, achando que se eu sumir tudo vai melhorar e eu vou esquecer num passe de mágica. Já disse, sou tola.
Não sei se você teve saco pra chegar até aqui ou se a sua vida free sussurrou no seu ouvido que eu sou perturbada, enfim... Eu só queria te poupar de ouvir tudo isso quando a gente se ver de novo e isso não se trata de desespero... É só... Como é mesmo a palavra? É só amor. E nessa tela, nesse blog e nesse contexto, essas quatro letras parecem tão vagas. Se tem uma coisa que eu me orgulho, é ter consciência do que eu sinto e não ter vergonha nenhuma de me sentir imbecil enquanto você ri disso. É lindo... é uma beleza entrelaçada no meio de fumaça e desgosto. É bobo e sério ao mesmo tempo. E não sinto saudade como imaginava porque fecho os olhos e te vejo, da mesma maneira que na realidade. Sei lá... Deixa eu sair daqui, vai. 


É, Jacques... Eu e você vamos morrer amando, querido.

Um comentário:

Nádia C. disse...

"ou se a sua vida free sussurrou no seu ouvido que eu sou perturbada"

foi mal, mas não pude conter a identificação imediata com esse trecho (e muitos outros):/

por que que me diziam que amar era bom, mesmo?